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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Poema do fim do ano

Pintura de Rene Magritte



Poema do Fim do Ano


Mario Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Mora uma louca chamada Esperança:

E quando as buzinas fonfona

Quando todos os reco-reco matracam

Quando tudo berra quando tudo grita quando tudo apita

A louca tapa os ouvidos

atira-se

E - ó miraculoso vôo! –

Acorda, outra vez menina, lá embaixo, na calçada.

O povo aproxima-se, aflito

E o mais velhinho curva-se e pergunta:

- Como é o teu nome, menininha de olhos verdes

E ela então sorri a todos eles

E lhes diz, bem devagarinho para que não esqueçam

nunca:

- O meu nome é ES- PE- RAN- ÇA ...


Em : Lili inventa o mundo



E para todos todos/as em 2009 muito energia, saúde, alegria e PAZ

Em 2009 tem mais....

Contamos com você!!!


sábado, 20 de dezembro de 2008

I- Bravo, bravíssimo

vista da Escola

Gustavo(boné), Lucas (alunos/blogueiros), Maurício (oficineiro de poesia) e Adrian (aluno/blogueiro)


Realizamos uma parceria importante com a Biblioteca comunitária Ilê Ará e aprendemos a ver a relevância que esta biblioteca comunitária desempenha na comunidade e na vida do Morro da Cruz.

Descobrimos também o trabalho que o Instituto C&A desenvolve com o projeto "Prazer de Ler" e no caso de Porto Alegre o seu parceiro (2006 a 2008) foi o Instituto Leonardo Murialdo, via Ilê Ará.


Conhecemos alguns voluntários do projeto "Prazer de Ler" que atuaram junto a Biblioteca Ilê Ará. Os voluntários são funcionários da empresa e estão cursando diversos cursos de nível superior, eles colaboraram imensamente nas atividades realizadas na biblioteca comunitária do Morro.

O "bravo, bravíssimo" (título da postagem) aprendi com o voluntariado do Instituto C&A, em uma noite regada a prêmios e a alegria, onde o que unia todos os participantes, era o gosto de ler e a vontade de fomentar a leitura na comunidade Morro da Cruz.


Bravo, Bravíssimo:

Para todos/as que compreendem que ler é um direito fundamental para a formação do cidadão e para o acesso ao conhecimento e à cultura.

Para a Biblioteca Ilê Ará, aos voluntários do Insituto C&A, ao Instituto Murialdo e ao nosso oficineiro (ele atua na biblioteca Ilê Ará, mas já o consideramos como um educador da nossa Escola) Maurício.

No segundo semestre a Escola em parceria com a biblioteca Ilê Ará, realizou oficinas de Poesia e tivemos a possibilidade de contar com o dedicado oficineiro Maurício, abaixo um poema de sua autoria.

Negro


autor: Maurício
(Poeta, músico, contador de história e oficineiro de poesia)


Hoje sara a ferida do negro


Que andou descalço,


Com os pés calejados

Pelo solo que sempre foi seu.

Liberdade foi palavra exilada

Da vida amargurada do guerreiro da noite.

A lua foi guia brilhante


Durante a noite sobre as vistas inchadas,

De uma tortura infinita.


Antes que o sol se erga

Ouvem-se gritos de desespero


Não há o que fazer a não ser

Rezar para que zumbi me traga a paz.

Trago na cor o negro guerreiro

Trago do negro a grande vitória

Trago da vida a minha história.


Chorou o negro em segredo

Em seu manto o vermelho da sua carne

Do passado traz apenas as marcas


Porém nunca deixou de ser guerreiro da noite

Sobre seu esqueleto de ferro

Há carne humana munida de sentimentos

E antes que nos ofereçam justiça

Quero ser cada dia mais negro.